O que tem o vinho

O que tem o vinho

por Eduardo Bassetti

Neste espaço, o vinho é o sujeito principal. Desde a história, até as técnicas atuais de elaboração, os temas aqui tratados passam pelo plantio das uvas, cuidados com os vinhedos, processos de fermentação e curiosidades do mundo do vinho, sempre com a colaboração de um apaixonado por fazer e beber vinhos.

eduardo@villaggiobassetti.com.br

A poda

Publicado a(s) 14:42h do dia 13/10/2014

Um dos momentos mais importantes e mais críticos na produção do vinho é a poda das videiras. Quase tão importante quanto a decisão do momento da colheita, a definição de quando iniciar a poda deve considerar o início da brotação e a previsão de futuras geadas, principalmente numa região fria como a de São Joaquim. A geada tardia, posterior à brotação, pode inutilizar as gemas responsáveis por produzir os cachos.

Em nossos vinhedos as podas podem se iniciar desde meados de agosto até a metade de setembro, dependendo de como se comporta o clima. Qualquer calor fora de época, como em alguns anos acontece no final de julho, pode induzir a brotação antecipada o que nos leva também a antecipar a poda.

Por que podar? A poda tem diversas finalidades, organizar e uniformizar a produção, melhorar a qualidade da uva e definir a forma que se quer dar à videira em função do sistema de condução. Na Villaggio Bassetti utilizamos o sistema de espaldeira, em que os ramos das videiras seguem paralelos, com corredores para os tratos culturais entre as filas. Este sistema proporciona uma produção menor, mas com mais qualidade devido à maior insolação e menor umidade.

Entre as mais de uma dezena de sistemas de poda, na Villaggio Bassetti usamos dois métodos:

  • Cordão esporonado, ou Cordão de Royat é a poda mais tradicional, onde se mantém os esporões sobre um ramo formado nos dois primeiros anos da planta. Neste sistema, somente se substitui o ramo antigo se ele for pouco produtivo. Assim conduzimos os vinhedos de Cabernet Sauvignon, Merlot e Sangiovese;

  • Guyot duplo, com duas varas por planta, onde se aproveita o ramo que produziu no ano anterior para a safra atual. Utilizamos este sistema para as variedades Sauvignon Blanc e Pinot Noir.

Em função da precocidade da brotação de cada variedade, normalmente podamos primeiro a Sangiovese, depois a Pinot Noir, em seguida a Sauvignon Blanc, a Merlot e finalmente a Cabernet Sauvignon.

É interessante perceber como as plantas mais robustas de uma mesma variedade demoram mais a brotar que as menos robustas. Parece que preferem acumular mais nutrientes para quando começarem as brotações, como um atleta que se prepara para uma prova de longa distância. As menos robustas partem na frente, para aproveitar melhor os nutrientes disponíveis e garantirem sua perpetuação.

Como os animais, as plantas também podem se adaptar ao ambiente para garantir a preservação da espécie!

Guyot duplo
Cordão de Royat

Saúde! E bons vinhos...

Fotos: Mara Freire

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