O que tem o vinho

O que tem o vinho

por Eduardo Bassetti

Neste espaço, o vinho é o sujeito principal. Desde a história, até as técnicas atuais de elaboração, os temas aqui tratados passam pelo plantio das uvas, cuidados com os vinhedos, processos de fermentação e curiosidades do mundo do vinho, sempre com a colaboração de um apaixonado por fazer e beber vinhos.

eduardo@villaggiobassetti.com.br

Angelo Gaja

Publicado a(s) 10:03h do dia 27/05/2016

Encontro com Angelo Gaja (o 5º da direita para esquerda, ao lado de Alcenita Bianco) e amigos na vinícola Leone di Venezia

Não é sempre que temos a oportunidade de receber, conversar e dividir vinhos locais com um dos maiores ícones do vinho mundial, certamente o mais renomado produtor italiano.

Foi no dia 21 de abril passado que Angelo Gaja esteve pela primeira vez em São Joaquim. Almoçamos juntos na vinícola Leone di Venezia, dos meus amigos Cita e Saul Bianco. Acompanhado da esposa e de um casal de amigos brasileiros, da cidade de Joinville, no norte de Santa Catarina, Angelo mostrou ser um homem simples, interessado no que acontece no mundo do vinho. Apreciador da boa conversa e da comida regional, sorveu com curiosidade os vinhos que foram oferecidos. Na Leone di Venezia todos os rótulos são muito bem elaborados com castas italianas.

Já conhecia a história deste internacionalmente conhecido produtor através da leitura imperdível do livro “A Arte de Fazer um Grande Vinho”, de autoria do jornalista Edward Steinberg, americano que escolheu Roma para aprender e escrever sobre vinhos. Neste livro, verdadeira aula de viticultura e enologia, o autor conta a história, em detalhes saborosos, de como Angelo Gaja transformou o desconhecido Barbaresco num dos mais conhecidos e desejados vinhos em todo mundo.

No anfiteatro lotado da Casa da Cultura, no centro de São Joaquim, assistimos - de ouvidos e olhos bem abertos - uma agradável palestra sobre a história da Azienda Vinícola Gaja, na cidade de Barbaresco, Piemonte, no norte da Itália. Desde o porquê da simplicidade de seus inconfundíveis rótulos, as informações de Gaja foram fluindo fácil, absorvidas com a avidez de aprendizes que somos.

De todas as informações - que infortunadamente não gravei - a que mais me marcou foi a de que “não existe vinho perfeito”!

Fiquei - e continuo obstinadamente - pensando nesta questão! Como seria o vinho perfeito? O elaborado pelo milagre de Cristo na transformação da água em vinho nas Bodas de Canaã? Ou seria um vinho tão estimulante que levou Dom Perignon a afirmar, extasiado, estar “bebendo estrelas” na elaboração do primeiro champagne. Ou foi, para mim, o primeiro vinho que elaboramos na Villaggio Bassetti em 2008, dentro de uma barrica de carvalho?

Acredito no Angelo Gaja, muitos são os defeitos que podem aparecer num vinho, são muitas nuances, muitas variáveis. Não existem duas safras iguais, pode faltar algo, pode sobrar algo!

Mas certamente existe a busca do vinho perfeito. E acredito que este é um desafio que todos nós que trabalhamos com esta bebida apaixonante buscamos vencer. Isto nos faz sempre querer melhorar nossos vinhos e por isto os vinhos, de maneira geral, serão cada vez melhores, apesar dos modismos e das tabelas de pontos que buscam enquadrar um vinho num número.

Saúde, Angelo Gaja! E bons vinhos...

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