O que tem o vinho

O que tem o vinho

por Eduardo Bassetti

Neste espaço, o vinho é o sujeito principal. Desde a história, até as técnicas atuais de elaboração, os temas aqui tratados passam pelo plantio das uvas, cuidados com os vinhedos, processos de fermentação e curiosidades do mundo do vinho, sempre com a colaboração de um apaixonado por fazer e beber vinhos.

eduardo@villaggiobassetti.com.br

Vinho é alimento

Publicado a(s) 11:49h do dia 03/09/2021

Foto: Selvaggio DManny Villaggio Bassetti . Créditos: Eduardo Bassetti.

Vinho é bebida alcoólica ou alimento?   Esta é uma discussão muito antiga aqui no Brasil e que em países em que o consumo de vinho é historicamente habitual já foi sacramentada: o vinho é tratado como importante complemento alimentar de consumo diário.

Com a pandemia que se abateu em todas as regiões do mundo, foi no Brasil que o consumo teve maior aumento, chegando a um acréscimo de 70% entre vinhos nacionais e importados, sendo que os importados se apropriaram de boa parte deste aumento. O que contribuiu para que esta diferença não se acentuasse, foi a alta expressiva do câmbio, Dólar e o Euro. É importante ressaltar que com o aumento, o consumo chegou a 2,37 litros per capita/ano, o que é muito baixo, considerando que boa parte da nossa cultura alimentar veio com imigrantes europeus, da mesma forma que os argentinos, uruguaios e chilenos que consomem respectivamente 31,3 litros, 26,4 litros e 12,0 litros, sempre considerando a população acima de 18 anos.

Outro fator que impede um consumo maior de vinhos pelos brasileiros é a baixa renda individual, aliada a um custo muito alto para elaboração de vinhos finos, devido à forma como a tributação nacional incide sobre a cadeia produtiva. Além disto, a classificação fiscal do vinho como uma bebida alcoólica, onera com tributos desde a produção das uvas, pior, desde a implantação dos vinhedos, com tributos sobre todos os insumos necessários para sua produção. Com o “manicômio tributário” brasileiro (palavras do Ministro da Fazenda, Paulo Guedes) é quase impossível calcular o custo de um vinho elaborado a partir de uvas próprias.

Muitos estudos confirmam que o consumo responsável de vinho é benéfico para a saúde. Responsável quer dizer duas taças por dia às refeições, de um vinho de boa origem, para pessoas que não tenham contraindicação ao seu consumo. A diferença entre o veneno e o remédio está na quantidade! E pela variedade de vinhos disponíveis no mercado, há de ter um que agrade aos mais diversos paladares.

Se o vinho vier a ser classificado como alimento será mais simples sua tributação, com considerável diminuição dos custos e em consequência do preço. Isto acontece no velho mundo, como também nos países vizinhos, grandes produtores de vinhos finos que, embora consumam per capita muitas vezes mais que o brasileiro, ainda produzem excedentes que são exportados para todo o mundo. O alto custo leva à baixa produção, a baixa produção leva ao alto custo!

O Brasil, desde o início deste século tem avançado na implantação de vinhedos em regiões antes consideradas inadequadas. Devido à pujança da agricultura nacional, que conseguiu, através de processos como a dupla poda, porta-enxertos mais adequados e outras tecnologias agrícolas, produzir vinhos de excelente qualidade em grande parte de seu território. E este avanço continua, com projetos sendo implantados em São Paulo, Minas Gerais, Goiás, Bahia, Espírito Santo, além dos tradicionais estados do Sul do Brasil.

Chegando o momento de discutir as indispensáveis reformas que permitirão um crescimento mais acelerado de nosso país, a Reforma Tributária precisa incluir o vinho no rol dos alimentos, reduzindo sua carga de impostos, proporcionando um maior acesso das pessoas de todas as faixas de renda a ter esta bebida em suas mesas. Viva o Vinho!

Saúde! E bons vinhos...

Foto: Claret Villaggio Bassetti. Créditos: Eduardo Bassetti.

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